quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Corte - Parte 1

Pessoal, aqui se inicia a seção Causos do Brejo. Sempre que possível, um conto para vocês lerem, ou a continuação de uma história. Boa leitura pra vocês e não deixem de comentar. A opinião de vocês é importante. Valeu!


* * *


Tudo leva a crer que há um cérebro na estrada. Não, não são miolos estatelados colorindo o negro asfalto após um impacto mortífero. É apenas a realidade, nua e crua, passando pela transparência do para-brisa e chegando na retina do condutor. Lembra do “não fale com o motorista”? Deveria ser mantra, uma vez que a atenção está sempre toda voltada para a rodovia, e a paciência, constantemente, sendo posta a prova. Um mínimo de descuido e o passageiro pode se arrepender da conversa. Da intervenção. Do momento. Da fração de segundos que definiu o resto de sua vida.

Nada exige tanta atenção e tanta paciência, a longo prazo, do que um automóvel em deslocamento em alta velocidade, seja por curta ou longa distância. Nem mesmo xadrez, dobraduras, palavras cruzadas, quebra-cabeças, telefonista de telemarketing ou sexo tântrico. O betume cobrindo o chão, com buracos recapeados, não passa de múltiplas extensões dos axônios das células neurais do motorista. Definitivamente, há um cérebro na estrada. Um desafio mental e cansativo em processo de solução.

Quem dera a fadiga se limitasse ao cérebro. O jogo de pedais, a direção rígida, a puxada do freio, a troca de marcha, os olhos correndo pros espelhos e até o play no rádio. Esforços mínimos com desgaste máximo. O corpo inerte, em posição de quem nada faz e paradoxalmente tudo deve fazer. Não há ajuda... quem sabe a do passageiro no play do rádio. Muito considerável, diga-se. Sabe aquele escravo das galeras romanas cujo ofício era de batucar tambores para que os remadores tivessem uma distração e um incentivo para executarem seu trabalho? Pois o passageiro do banco da frente é o tocador de tambor moderno. Especialmente se a música ou estação escolhida for do agrado. É um alento pro motorista, que por uns momentos, esquece que, quando chegar no seu destino, sairá tísico e moído de seu transporte, tomado pelas câimbras e pelo cansaço. E sem troféu para levantar ou pódio para subir. Ao menos os pilotos de bólidos têm esse consolo.

Acabou? Não: o desgaste físico e mental não são apenas pessoais ou individuais. São também resultado de um processo coletivo. Porque dirigir não se resume apenas em uma pessoa, e não se dirige apenas para si. Dirige-se também para o próximo. E aqui não se refere apenas aos passageiros, mas também a outros condutores, em seus respectivos veículos, com seu devido espaço ocupado na estrada, contribuindo para a ordem da mesma.
Desnecessário dizer que o trânsito é um organismo celular que, na menor das desordens, gera uma célula nociva na qual desencadeia um câncer, e que o ato de dirigir também é, para desagrado dos egocêntricos e misantropos, um processo comunitário. Os livros escolares de Biologia omitem gritantemente uma obviedade em seu capítulo de ecologia: dirigir é um exemplo de mutualismo. Uma relação intraespecífica: indivíduos da mesma espécie interagindo entre si em um ambiente comum a todos. Se harmônica ou desarmônica? Sem critério definido. Primeira opção na regra, segunda opção na prática.

É esse amálgama de conhecimento prévio, concentração, paciência, coleguismo, preparo, resistência física e mental que o protagonista de um veículo oculta dos demais ocupantes. Tal complexidade e tensão inexistem no passageiro porque ele não possui mais do que uma visão simplória de tudo isso. Natural que a tenha: seu compromisso se resume em se sentar do lado do motorista, afivelar o cinto e ajeitar a posição do assento. O resto fica a seu critério, até o fim do percurso. Está ele livre da obrigação de cuidar dos espelhos retrovisores, do velocímetro, da troca de marcha, dos pedais, da manutenção do veículo, do clima, das condições da estrada e de quem transita pela mesma. Todavia deve cuidar da paisagem. Para usufruir daquilo que o condutor não tem tempo. Ao menos alguma coisa. Ao menos ver para além dos limites da estrada.

Deve ser por isso que se estranha quando aquele sujeito pacato, tranquilo, que nunca brigou ou discutiu com alguém, fica enfezado ao assumir a condição de titular do volante. Quando longe de um, temperamento de um Monte Fuji: inofensivo, pacífico, há anos sem entrar em erupção. Dê-lhe o manche e surge o Mauna Loa: imperioso, violento, agressivo, cuspindo fogo pelas ventas. Não é difícil reparar tal cena no cotidiano. Logo cedo na vida nos familiarizamos com a mesma. Quando não conhecemos, ainda, as agruras de uma rotina, temos muito tempo para observar os adultos e seus comportamentos, ainda que não possamos compreendê-los. Guardamos na memória até o dia que adquirirmos o esclarecimento. Ou o mesmo comportamento.

Tomo, aqui, o exemplo do meu pai, sujeito que geralmente está na sua, tranquilo. Não quer dizer que ele não berre o gol de seu time, xingue um ou outro jogador, despejando todo o seu sangue coronariano diante da televisão. Mas geralmente não passa disso. Levanta a voz muito de vez em quando nos momentos que é contrariado, e quando enfrenta problemas profissionais, apenas fala mais do que o seu normal. Não é de palavrões. Em suma, era, e continua sendo, um sujeito pacato.

Tal qual O Médico e o Monstro – ou o desenho do Pateta, para ficarmos com um exemplo mais coerente – a faceta do patriarca se transformava quando ele assumia um compromisso com o volante. No trânsito urbano, pouco era manifestado, uma vez que o excesso de vielas e ruas curtas, bem como o baixo limite de velocidade. Era mais fácil perceber a transformação nas rodovias em alta temporada veranística. A proliferação de engarrafamentos nas autoestradas fazia, inevitavelmente, alguns barbeiros bancarem os matreiros e abandonarem a coletividade rodoviária para ganharem vantagem nas brechas que surgiam nos asfaltos. Com um certo grau de risco... elevado.

Então lá estava a família voltando do litoral numa estrada tão congestionada quanto o nariz de um esquimó constipado. Meu pai de condutor, seguindo a faixa, analisando a extensão da fila de veículos, calculando o tempo que ficaríamos naquele inferno terrestre... quando o carro da frente avança. Nessa hora, dispara um sinal no cérebro do motorista: avançar na sequencia, preenchendo o espaço deixado pelo veículo seguinte. Parece simples e automático. E seria... não fosse um matuto. Um jovem matuto, para sermos fiéis ao fato. Sem camisa, acompanhado da consorte. Suas aguçadas percepções captaram a brecha ao seu lado. Não teve dúvidas ao seguir seu ímpeto agressivo enfiando a dianteira do carro no espaço que seria destinado ao pai. Sem fazer sinal de pisca. Sem olhar pros espelhos. Sem olhar pra trás. Sem cautela. Sem prudência. Sem pudor.

Se seus sentidos foram acurados no objetivo de surrupiar aquele espaço numa fração de segundos, falharam miseravelmente na missão de avaliarem que motorista estava sendo prejudicado com a ação – bem como o seu temperamento no comando de um carango. Meu pai, que não esperava aquilo, teve que redobrar a percepção e, no reflexo, realizar uma freada brusca. Esse era o sinal: iniciava-se, assim, o ritual do motorista sacaneado, que todo mundo um dia já presenciou: em sequência à freada, repentinamente surge uma mão no alto. A mesma desce, célere, aberta ou fechada, soqueando ou espalmando a buzina, este simulador de saco de areia e que alivia tensões. Fechando o ritual, um palavrão habitual. No caso: É UM FILHO DA P*** DESGRAÇADO!!!!

Algo não se perdoa no código de moral entre os condutores: o corte. Ninguém gosta de ser cortado numa conversa, porque o fluxo dela precisa seguir, de modo que as ideias fluam e o assunto se desenvolva naturalmente. O mesmo acontece com o trânsito: não se tolera corte. Por isso os condutores devem eleger uma faixa própria e adequada para dirigirem, de acordo com seus objetivos momentâneos, e evitarem a troca da mesma. Se isso for muito necessário, usa-se o sinal de luz para avisar os próximos. Assim o trânsito flui de forma natural e saudável. E o corte na estrada, assim como na conversa, só interrompe a naturalidade do que está se desenvolvendo bem. É o carcinoma de um organismo. Uma fisgada. O prenúncio de um hematoma. O toque da discórdia.

Todo motorista explode ao ser cortado. Perde a noção das palavras. Precisa soltar cobras e lagartos. Via isso no meu pai. Vejo isso nos ônibus. No táxi. Em qualquer lugar envolvendo um protagonista do trânsito. Evidente a irritação: no mínimo descuido, seja deles ou do pedestre, pode haver uma tragédia. E a culpa não vai cair no segundo. Nunca. E é por isso que dirigir transforma as pessoas, sendo um complemento do stress rotineiro.

Precisava me desligar desses pensamentos. Porque em breve eu encararia a estrada. Depois de um dia estafante e incandescente no trabalho. Necessitava relaxar. Não conseguiria: teria que encarar essa cobra sinuosa e acinzentada. Que, se não tomasse cuidado, poderia me engolir. E me levar para longe de tudo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um novo começo

Prezados amigos,
Tardamos, mas não falhamos.

Havia prometido reabrir o Cabana há um mes. Espaço este que em quatro anos, tanto utilizei para expressar ideias, produções literárias, opiniões, entre outros, e que com o tempo acabei abrindo mão e abandonando, visto que o Twitter e o Facebook estavam, aos poucos, demonstrando ser substitutos para tais tarefas.

As necessidades do dia a dia, aliada a uma certa preguiça e falta de vontade de continuar alguns textos que gostaria de deixar engatilhados e programados no blog, tentando assim manter uma certa periodicidade, fizeram com que eu quebrasse a promessa. E a reabertura foi sendo adiada, adiada e adiada. Até hoje, quando relendo os textos antigos, bateu uma saudade de escrever aqui. E a preguiça foi superada.

E é assim: numa noite de feriado, sem muito a fazer, que decidimos reabrir o blog. Que, apesar de parado há um ano, ainda pode ter alguma utilidade. Assim espero, ao menos.

Para inovar nessa reinauguração, decidimos mudar o layout. Abandonar o fundo branco e sem graça e colocar uma cabana no fundo. No topo, o título do blog com personagens claramente ranhetas, para bem demonstrar a que viemos. Também colocamos outras duas páginas em anexo, além da dos posts: uma explicação as possíveis seções que teremos aqui, e outra com um pequeno perfil meu.

No mais, creio que é isso. Amanhã, já estaremos postando um primeiro conto, pela parte da manhã. Já temos a parte 2 pronta, e a parte 3 está em produção, além das ideias de postagem de poemas antigos e dois quizzes de copas que deixamos prontos. Tudo isso voces vão conferir nos próximos dias. A ideia é publicar um conto, um quiz e dois poemas por semana, e deixar o resto em tempo livre. Com o tempo, se isso aqui ficar interessante, tentaremos uma periodicidade mais rígida, para atender a demanda.

Sem mais delongas, aguardem a amargura que virá pela frente. Mais ranzinza do que nunca.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Quiz da Copa de 50

Como muitos de vocês sabem, fui pra Montevideo recentemente. Primeira viagem internacional. Perfeita e inesquecível.
Durante minha estadia por lá, visitei o Centenário, assistindo um jogo do Peñarol e visitando o Museo do Futbol deles. Fiquei surpreso (talvez devesse já saber disso) quando vi que o espaço dedicado para o bicampeonato mundial deles, conquistado em solo brasileiro, era maior que o da primeira Copa do Mundo realizada na história, em solo uruguaio.

Diante disso, assim que voltei, decidi pesquisar mais sobre aquela Copa, marcada pelo povo daqui como "Aquela já ganha que perdemos". É uma pena que não tenhamos tanto material de vídeo daquela época, o que nos faria ter a real noção da tragédia. O que temos são textos e algumas fotos que dão uma pequena margem para o que foi aquela partida histórica entre uruguaios e brasileiros.

Mas o que consegui achar foi suficiente para me animar a fazer um novo quiz sobre as Copas (o leitor fiel vai se lembrar que eles já aconteceram aqui em uma época não muito distante). Dessa vez, peguei exclusivamente a Copa disputada no Brasil para desafiar o conhecimento de vocês. Vinte perguntinhas para quebrarmos o gelo. Sem pesquisa, sem nada. Que tal?

Aí está para vocês. Boa sorte!

1) Comecemos com uma fácil: Ademir de Menezes foi o artilheiro da Copa de 50. Quantos gols ele fez?

2) Outra fácil: Quantas seleções jogaram aquela Copa?

3) Todos sabem do terrível acidente aéreo que vitimou os jogadores de um time italiano, base da Seleção Italiana, um ano antes da Copa. Esse acidente foi decisivo pra campanha sofrível da Azzurra. Qual o nome do local do acidente e qual o nome da equipe que os jogadores vitimados faziam parte?

4) Além da final simbólica perdida para o Uruguai, o Brasil também não foi vitorioso em outro jogo daquela Copa. Contra quem foi esse jogo, e qual foi o seu placar?

5) Devido ao número de seleções, o Uruguai só necessitou jogar uma única partida para chegar ao quadrangular final. Contra quem foi esse jogo e qual o seu placar?

6) Ele era o craque do Brasil, amado pelos cronistas esportivos, e muitos diziam que ele foi melhor até mesmo que Pelé. Era o maestro da equipe que encantou os brasileiros do Eixo. De qual jogador tupiniquim estamos falando?

7) Obdulio Varela, o grande líder da Celeste, levava o apelido de "El Gran Capitán" entre os jogadores uruguaios. Que outro apelido ele também tinha entre seus companheiros?

8) Além dos seus feitos decisivos na partida contra o Brasil, Varela também foi importante por ter feito um gol, o único que fizera naquela Copa, e que foi decisivo pro Uruguai levantar o título mais tarde. Contra qual seleção Varela anotou seu único tento?

9) Quem era o técnico brasileiro naquela Copa, apontado como um dos culpados pela perda do título?

10) Entre várias outras paranoias, muitos apontaram a troca de concentração pelo técnico do Brasil como fator importante para que a Seleção perdesse o jogo contra o Uruguai. Onde era a concentração do Brasil antes desse jogo, e onde ela foi para a "final" contra a Celeste?

11) Assinale Verdadeiro ou Falso:

( ) No dia da "final", um jornal do Rio teria publicado um pôster onde apareciam os onze jogadores do Brasil numa foto, com o seguinte título: "Os onze campeões mundiais";
( ) Não é lenda: Varela teria esbofeteado Bigode no gramado em dado momento do jogo;
( ) Ernesto Vidal, um dos jogadores importantes da Celeste, não jogou a partida contra o Brasil;
( ) Jules Rimet chegou a pensar em não entregar o troféu para Obdulio Varela no Maracanã;

12) Ghiggia, Varela e outros quatro jogadores titulares da Celeste jogavam numa tradicionalíssima equipe uruguaia. Que clube é esse?

13) O placar do jogo final foi inaugurado pelo Brasil, num gol anotado por Friaça. Entrementes, há uma polêmica sobre esse gol. Que polêmica é essa?

14) Após o gol tomado, Varela teria usado de seus dotes de "El Gran Capitán" para esfriar a partida e acalmar seus companheiros. O que Varela fez?

15) O gol do empate uruguaio, que fez o Maracanã emudecer, foi marcado por Schiaffino. Quem deu o passe para que o atacante fizesse o gol?

16) Como é o nome do goleiro brasileiro daquele jogo, apontado como um dos culpados pela derrota, por ter falhado no gol feito por Ghiggia?

17) Jules Rimet conta que entregaria o troféu pra seleção vencedora após a partida, quando seria tocado o Hino Nacional, estendido um tapete até o centro do gramado e ele caminharia por esse tapete carregando o troféu. Tudo organizado pela CBD, que também cometeu outra gafe especial para aquele jogo, caso o Brasil se sagrasse campeão. Que gafe foi essa?

18) Três fáceis agora, pra encerrar o quiz: que dia e mês esse Brasil x Uruguai foi realizado?

19) A Seleção Brasileira, traumatizada com aquela derrota, estigmatizou um elemento seu e fez questão de alterá-lo pra copa seguinte. Que mudança foi essa que marcou para sempre a Seleção?

20) Para finalizar, a mais fácil de todas: Como é conhecida essa célebre partida que selou o bicampeonato mundial uruguaio?

Respostas até quinta-feira, quando eu retornar de uma viagem do litoral.

Um forte abraço!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Láurea Lascívia

Próximo de você em noite de núpcias
Quero arder em pura felicidade
Quero queimar no magma da volúpia
E sublimar aos céus da insanidade

Perto de ti, quero ser consumido
Como Pompéia foi pelo Vesúvio
Pela ira divina, ser redimido
Como fora a Terra pelo Dilúvio

Junto de ti na noite libertira
Não me interessa vergonha ou pudor
Apenas teu apetite de felina

E durante o mais intenso calor
Quero ter overdose de endorfina
E em teus braços entrar em torpor.

E.M.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Desejos Infinitivos

Hoje só quero sentir teu calor
E escutar um blues estando ao teu lado
Esquecer do estresse e de qualquer dor
Só querendo te amar e ser amado

Hoje quero dormir em teus braços
E te amar como nunca antes
Juntar nossas mãos em um entrelaço
Compensando nosso tempo distante

Hoje quero desfrutar de teus lábios
Sentir teu aroma de jasmins e rosas
Que causa furor até nos mais sábios
E suscita em mim sensação ardorosa

Hoje quero dizer como te quero
Elevar a paixão a níveis totais
Cuidar de você com muito esmero
E ser teu a cada dia mais e mais

E.M.

Liberdade

Aqui me encontro, preso em minha mente
Vítima de ideia fixa, de nova sina
Acusado de ser um delinquente
Por consumir excessos de endorfina

Tenho culpa no cartório pro crer no amor
Em tempos acinzentados e frios
Em lembrar de você e ter um temor
Gerando em mim tantos calafrios

Procurarei uma brecha neste mundo
Repleto de egoísmo e de amargura
E fugir do moderno moribundo
Para ir em busca de sua ternura

Pois a você, todas as trilhas levam
Voltam-se todos os meus devaneios
Todos os meus sentimentos se elevam
Dirigem-se todos os meus galanteios

Perto de você, ah! a liberdade!
QUe dádiva me concede dos céus
Para que eu possa viver de verdade
Longe das cobras regadas a fel

Vivamos o infinito de mãos dadas
Seja no seu tempo de duração
Sejam nos nossos papos e risadas
Seja na intensidade da paixão


E.M.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Saudades

Vejo a primavera pela janela
Com seu lindo amanhecer orvalhado
Cuja brisa purifica mazelas
Revelando seu rosto cintilado

Vejo o céu azul com leve rubor
E lembro tuas pupilas celestes
Que me fazem virar um beija-flor
Voando em direção do Sol a leste

Vejo alva névoa se dissipar
Lembro tua pele de una candura
Do teu cabelo ao vento esvoaçar
E das tuas manias e fissuras

Então vejo o horizonte sem fim
E suspiro, num súbito desânimo:
O quanto você está longe de mim,
O quanto queria te dizer que te amo!

E.M.