ou "se o pica-pau tivesse comunicado a polícia..."A maioria de vocês talvez não saiba, mas não publico os poemas que escrevo apenas neste espaço. Como escritor, busca-se outros horizontes e outras pessoas com quem se possa compartilhar tais criações literárias (embora três quartos do que leio nesses espaços literários ache pura balela. Questão pessoal, é claro).
Por isso, há um ano, transcrevi todos os meus poemas, contos e citações
para este espaço aqui. Não é muito diferente do que publicar obras em um blog, se formos analisar pela exposição das mesmas. Mas há dois diferenciais: o primeiro é que, no Recanto das Letras, há mais pessoas interessadas em ler suas criações literárias. É o público certo para isso (nenhum desmerecimento a vocês, queridos amigos), que vez por outra pode dar pitacos sobre suas obras.
O segundo são as concessões de licenças sobre os direitos autorais. Meu conhecimento nessa área é parco, mas isso não me impediu de ler sobre o Creative Commons, que para meus interesses, é muito melhor do que o uso do Copyright. Até porque o que escrevo, de maneira alguma, visa interesses lucrativos. Escrevo pela emoção, jamais por compromisso, por dinheiro ou por contribuição à arte.
Contudo, se alguma coisa que escrevi algum dia alcançar, de alguma forma, uma grande divulgação e uma grande aceitação entre escritores, obviamente que me importarei com o reconhecimento sobre essa obra concebida. E, é claro, exigirei meus créditos sobre a obra. Nada mais justo.
E por isso coloquei meus poemas sob licença Creative Commons. Ou seja, eles podem ser divulgados livremente, sem percalços burocráticos ou necessidade de autorização minha. Apenas se pede, para tanto, que se coloque meu pseudônimo e o endereço de meu perfil no Recanto das Letras. Ganha quem reproduz a obra, ganha quem criou a obra.
Até aqui, eu expliquei sobre os direitos autorais dos meus poemas via Creative Commons. Agora eu vou explicar o que é coitadismo. Porque, mesmo com todas essas facilidades e de vários direitos que a gente abre mão, tem gente que não lê as entrelinhas. Ou finge que não leu e publica o que não é seu, na maior cara-de-pau, sem colocar os devidos créditos. E o stress começa.
Foi o que aconteceu ontem comigo. Entrei no meu orkut e recebi o recado de uma amiga. Entro no perfil dela e qual não é minha surpresa quando, na sua descrição, está um poema que dediquei a ela. Até aí tudo bem, o poema foi pra ela, que faça o proveito que desejar do mesmo.
Mas logo abaixo, haviam os testimonials. O último enviado para ela era de um cara. Continha um excerto, uma estrofe, que logo que li, pareceu-me familiar. Cinco segundos depois, lembrei de onde conhecia aquele excerto: era do outro poema que havia escrito e dedicado a ela. E o que era pior: sem os devidos créditos.
Questionei a guria, e ela disse que não havia contado para ele sobre os poemas, que o testimonial foi por acaso. É claro que se pode duvidar dessas declarações (eu duvidei, afinal, é coincidência demais), mas se a palavra dela foi essa, então temos uma reprodução indevida de uma obra que eu escrevi, visto que não foram colocados os devidos créditos. E, é claro, eu não preciso dizer que meu sangue ferveu por causa disso, o que gerou uma baita discussão. Depois de muitas águas, o sujeito apagou o testimonial. Entrementes, achando que provocaria, colocou no lugar: "CENSURADO. Por reivindicação de direitos autorais"
E aqui, claramente, entra a Síndrome do Coitadismo. Porque convenhamos:
1) Alguém que você não conhece pega um excerto de um poema que você dedicou a uma garota e escreve um testimonial para A MESMA GAROTA;
2) Esse excerto não está creditado, mesmo com as leis Creative Commons que claramente aparecem no Recanto das Letras;
3) Quando peço o que é meu por direito, para não arranjar maiores problemas, sou indiretamente taxado de censor.
Se isso não é coitadismo em excesso, que me apedrejem.
Nada contra reproduzir os meus escritos. Mas por favor, CITEM a autoria.
Questão de preservação. E de bom senso.