sábado, 21 de novembro de 2009

(Des)ilusão

Querida, ao se aproximar do bar
Encontrará um decadente pinguço
Que se esqueceu da vida para amar
E agora se afoga no seu soluço.

Foi abandonado pelo egocentrismo
De uma insensível e estulta mulher
Que lhe arrancou todo seu romantismo
Tirando seu coração com colher

Não duvido que você faça o mesmo
Comigo que te paga esta cerveja
Achando que apenas feres a esmo
Este peito que levemente arqueja

Continues com sua lábia, dona
Permanecerei até onde apetecer
Mas caso se revele uma matrona,
A ti quero ouvir até o amanhecer.

E. M.

Sobre Creative Commons e Síndrome de Coitadismo

ou "se o pica-pau tivesse comunicado a polícia..."

A maioria de vocês talvez não saiba, mas não publico os poemas que escrevo apenas neste espaço. Como escritor, busca-se outros horizontes e outras pessoas com quem se possa compartilhar tais criações literárias (embora três quartos do que leio nesses espaços literários ache pura balela. Questão pessoal, é claro).

Por isso, há um ano, transcrevi todos os meus poemas, contos e citações para este espaço aqui. Não é muito diferente do que publicar obras em um blog, se formos analisar pela exposição das mesmas. Mas há dois diferenciais: o primeiro é que, no Recanto das Letras, há mais pessoas interessadas em ler suas criações literárias. É o público certo para isso (nenhum desmerecimento a vocês, queridos amigos), que vez por outra pode dar pitacos sobre suas obras.

O segundo são as concessões de licenças sobre os direitos autorais. Meu conhecimento nessa área é parco, mas isso não me impediu de ler sobre o Creative Commons, que para meus interesses, é muito melhor do que o uso do Copyright. Até porque o que escrevo, de maneira alguma, visa interesses lucrativos. Escrevo pela emoção, jamais por compromisso, por dinheiro ou por contribuição à arte.
Contudo, se alguma coisa que escrevi algum dia alcançar, de alguma forma, uma grande divulgação e uma grande aceitação entre escritores, obviamente que me importarei com o reconhecimento sobre essa obra concebida. E, é claro, exigirei meus créditos sobre a obra. Nada mais justo.

E por isso coloquei meus poemas sob licença Creative Commons. Ou seja, eles podem ser divulgados livremente, sem percalços burocráticos ou necessidade de autorização minha. Apenas se pede, para tanto, que se coloque meu pseudônimo e o endereço de meu perfil no Recanto das Letras. Ganha quem reproduz a obra, ganha quem criou a obra.

Até aqui, eu expliquei sobre os direitos autorais dos meus poemas via Creative Commons. Agora eu vou explicar o que é coitadismo. Porque, mesmo com todas essas facilidades e de vários direitos que a gente abre mão, tem gente que não lê as entrelinhas. Ou finge que não leu e publica o que não é seu, na maior cara-de-pau, sem colocar os devidos créditos. E o stress começa.

Foi o que aconteceu ontem comigo. Entrei no meu orkut e recebi o recado de uma amiga. Entro no perfil dela e qual não é minha surpresa quando, na sua descrição, está um poema que dediquei a ela. Até aí tudo bem, o poema foi pra ela, que faça o proveito que desejar do mesmo.
Mas logo abaixo, haviam os testimonials. O último enviado para ela era de um cara. Continha um excerto, uma estrofe, que logo que li, pareceu-me familiar. Cinco segundos depois, lembrei de onde conhecia aquele excerto: era do outro poema que havia escrito e dedicado a ela. E o que era pior: sem os devidos créditos.

Questionei a guria, e ela disse que não havia contado para ele sobre os poemas, que o testimonial foi por acaso. É claro que se pode duvidar dessas declarações (eu duvidei, afinal, é coincidência demais), mas se a palavra dela foi essa, então temos uma reprodução indevida de uma obra que eu escrevi, visto que não foram colocados os devidos créditos. E, é claro, eu não preciso dizer que meu sangue ferveu por causa disso, o que gerou uma baita discussão. Depois de muitas águas, o sujeito apagou o testimonial. Entrementes, achando que provocaria, colocou no lugar: "CENSURADO. Por reivindicação de direitos autorais"

E aqui, claramente, entra a Síndrome do Coitadismo. Porque convenhamos:
1) Alguém que você não conhece pega um excerto de um poema que você dedicou a uma garota e escreve um testimonial para A MESMA GAROTA;
2) Esse excerto não está creditado, mesmo com as leis Creative Commons que claramente aparecem no Recanto das Letras;
3) Quando peço o que é meu por direito, para não arranjar maiores problemas, sou indiretamente taxado de censor.

Se isso não é coitadismo em excesso, que me apedrejem.
Nada contra reproduzir os meus escritos. Mas por favor, CITEM a autoria.

Questão de preservação. E de bom senso.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As marcas que deixamos

Havia recém trocado meu celular no shopping e você me viu. Poderia ter vindo perguntar como estava, se tava tudo bem, se esperava um bom fim de ano. Mas você preferiu avisar a sua amiga que havia visto algo interessante na vitrine de uma loja. É claro. Uma desculpa. Uma dissimulação.

Eu não faria muita questão de te cumprimentar. Não precisaria ter fingido algo tão superficial a ponto de até aquela criança de sete anos sentada no banco de madeira notar. Ficou um tanto ruim pra você, eu creio.

De qualquer forma, fico satisfeito. Se houve repulsa, significa que, de alguma forma, uma marca minha ficou dentro de você. E isso para mim é o suficiente.

Agradeço-te pela consideração e por não ter deixado um único vintém de sinceridade em cima da távola.

Não te desejo muita coisa. Talvez alguma felicidade. Longe de mim, de preferência.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pedido

Eu te vejo perdida em silhueta
Sem vida, paralisada, opaca
Desperdiçando-se em qualquer valeta
Vendo-se como fétida cloaca

E descarta ideias tal qual plástico
Por causa de intempestiva aversão
Na nulidade do teu ente extático
Mantendo-se imersa na depressão

Por que não te soltas como uma pluma
Na brisa suave do entardecer
Ou como bolha num banho de espuma?

Por que não me revelas teu querer
Para que assim nossa paixão se assuma
E a vida seja como tem que ser?

E. M.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Paixão sepulcral

Repentinamente vem a penumbra
Surrupiar meu incandescente amor
Sugando tudo o que em frente vislumbra
Mantendo apenas gélido temor

Que faço nesses momentos carentes
Sem mão alheia alisando a cabeleira
Sem a dor da mordida de teus dentes
Sem a graça de uma paixão arteira

Uma cama de solteiro é o que resta
Para acalentar e relaxar o ego
Melancólico de cessar de festa

A tampa que deixes, eu mesmo pego
Mas por favor, não deixes restar fresta
Quando martelares o último prego.

E. M.

domingo, 11 de outubro de 2009

Quiz das Copas, Parte III - Respostas

Lá vai.

1) A primeira bicampeã mundial de forma consecutiva foi a Itália, em 1934 e, logo após, 1938. O Brasil igualou essa marca em 1958/1962. Nunca mais ninguém repetiu o feito.
2) Logo na partida de estreia da Copa de 2002, a França jogou mal e perdeu de 1x0 para a seleção de Senegal, que viraria a sensação daquela copa - claro, se não tivesse perdido pra Turquia nas semifinais. O gol foi marcado por Papa Bouba Diop, que joga hoje no Portsmouth da Inglaterra.
3) O primeiro bi-vice-campeonato foi frustradamente adquirido pela Hungria. Finalista em 38, perdera para a Itália. Mas em 54, a derrota foi bem pior. Na fila, a Tchecoslováquia igualou o feito em 1962, ao perder a final para o Brasil. Perdera em 1934 para a Itália o título. Mas nenhum deles superou o bi-vice-campeonato consecutivo da Holanda, feito alcançado em 1974/1978.
4) Em 1966, Portugal revelou o artilheiro moçambicano Eusébio para o mundo. Marcou nove gols na edição daquela Copa, um deles no Brasil, durante as quartas-de-final.
5)
F - Apesar de ser considerado o craque daquela seleção húngara de 54, Puskás não foi o artilheiro daquela edição. Sándor Kocsis, considerado o segundo melhor jogador húngaro de todos os tempos - atrás, claro, de Puskás - marcou onze gols, marca superada apenas pelo francês Fontaine, na Copa seguinte.
V - O árbitro francês Michel Vautrot - curiosamente o mesmo árbitro que apitou Grêmio x Hamburgo no Mundial de 83 - apitou a semifinal de 90 entre Itália x Argentina. O jogo terminou 0x0 no tempo normal, indo pra prorrogação. No segundo tempo suplementar, Vautrot esqueceu do relógio e deixou a bola rolar durante longos VINTE E TRÊS MINUTOS - ou seja, oito a mais que o normal. Os jogadores estranharam o longo tempo de jogo, e o árbitro admitiu que havia se esquecido de olhar o relógio durante o andor da prorrogação.
V - O mascote se chamava Naranjito. Abaixo, a simpática figura:

F - O acidente é verdadeiro, o time é falso: foram os jogadores do Torino que morreram em Superga, território italiano, em 1949, desfalcando a seleção italiana que foi pra Copa no ano seguinte.
6) Mesmo sem o brilho de 54, a Hungria aplicou 10 a 1 na seleção de El Salvador. Dizem que o jogador que marcou o gol para os salvadorenhos voltou para seu país ovacionado, por ter sido o primeiro jogador de lá a ter marcado um gol numa Copa do Mundo defendendo a pátria.
7) Pouco antes de começar a Copa de 66, a Jules Rimet foi surrupiada. A Polícia Britânica iniciou investigações, mas não conseguia encontrar o bendito troféu. Até que um dia, David Corbett estava passeando pelas ruas de Londres com seu cachorro Pickles, quando este encontrou um embrulho de jornais debaixo de uma cerca viva. Era a Jules Rimet! Corbett ganhou 3 mil libras por ter achado a taça, e Pickles, um fornecimento vitalício de ração. Infelizmente, o fornecimento durou apenas um ano, pois Pickles morreu em 1967, enroscado em sua própria guia enquanto caçava um gato. David Corbett falou, anos mais tarde em uma entrevista, que teve diversos outros cachorros, "mas que nenhum deles se igualou ao Pickles". Abaixo, foto do simpático cãozinho.

8) A fase de grupos da Itália em 82 foi medíocre: a Azzurra empatou seus três jogos, marcando apenas dois gols e tomando outros dois. Paolo Rossi não fez nenhum gol nessa primeira fase. Mas bastou chegar o jogo contra o Brasil nas quartas-de-final e o artilheiro desencantou: fez três na canarinho, dois na semifinal e o primeiro gol da final, contra a Alemanha. Com seis gols, consagrou-se artilheiro daquela edição.
9) Hakan Sukur, meio-campo da seleção da Turquia, marcou o gol mais rápido das Copas em 2002, na semifinal contra a Coreia do Sul. Aos 12 segundos, fez o primeiro gol da partida ao pressionar a saída de bola dos zagueiros coreanos. Os turcos venceram o duelo asiático por 3x2, e ficaram em terceiro. Abaixo, o vídeo:



10) Bem respondida pelo Professor. Na prorrogação, Hurst chuta a bola em direção ao gol, ela toca o travessão e - supostamente - a linha do gol. O árbitro acaba validando o tento, para reclamação geral dos alemães. Gerou uma grande polêmica na época, discutida até hoje. A Inglaterra venceu a prorrogação por 4x2 e levou o caneco.

Pensamos em voltar em breve com os quizzes. Mas por ora, daremos um tempo.
Até a próxima!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quiz das Copas - Parte III

Mais um, e aí só voltamos às vésperas da South Africa 2010, em convênio com o Carta.

1) Quais as duas únicas seleções campeãs mundiais que conquistaram duas Copas do Mundo de forma consecutiva?
2) Em 2002, a França chegava como favorita para a conquista da Copa do Mundo. Entrementes, logo na primeira partida, ficou explícita a dependência do time pelo craque Zidane, que se lesionou dias antes do torneio começar. Os "Le Bleus" perderam para uma ex-colônia sua por 1 a 0. Que seleção era essa e como era o nome do jogador que marcou o gol da derrota francesa?
3) Em toda a história das Copas, nenhuma seleção chegou três vezes numa final e perdeu as três vezes. Mas três seleções tiveram a sorte de chegar à final do torneio duas vezes, tendo que se contentarem com a medalha de prata. Cite as três seleções e os anos em que elas amargaram o segundo posto do pódio:
4) Em 1966, Portugal revelou um belíssimo futebol que alcançou o terceiro lugar daquela edição. Revelou também um artilheiro, que curiosamente, não era português. Quem é esse artilheiro e qual a sua nacionalidade de origem?
5) Assinale verdadeiro ou falso e justifique:
( ) Ferenc Puskás foi artilheiro da Copa de 1954;
( ) Em 1990, o juiz de Itália x Argentina se perdeu no cronômetro durante a prorrogação, em partida válida das semifinais;
( ) O mascote da Copa de 82 era uma laranja;
( ) A seleção italiana de 50 era fraca porque, um ano antes, os jogadores da Juventus, que formavam a base do selecionado, morreram em um acidente de avião;
6) Qual a maior goleada que já aconteceu numa Copa do Mundo? Quais os times e qual o ano da edição?
7) Em 1966, a Taça Jules Rimet foi surrupiada na Copa da Inglaterra e, depois de intensas buscas, foi encontrada por um cãozinho mui simpático. Qual era o nome dele?
8) Paolo Rossi, o grande carrasco de 1982, foi o artilheiro ao fim dessa edição, com seis gols. Quantos gols ele fez na fase de grupos?
9) Qual o gol mais rápido da história das Copas do Mundo? Dica: aconteceu não faz muito tempo. (cite nome do jogador, partida e edição da Copa. Placar opcional).

Tendo em vista que só o Professor Fonseca e seu Big Brother estão respondendo nossos desafios, decidimos facilitar a vida de ambos e escolher uma pergunta... mais fácil >D.

10) O ano é 1966 (de novo) e a final é Inglaterra x Alemanha, no estádio de Wembley. No tempo regulamentar, 2x2. Na prorrogação, 4x2 para os súditos da rainha. Entrementes, os alemães até hoje reclamam de um lance da partida que gerou uma grande polêmica. Que lance foi esse e por que ele é tão discutido até hoje? (o gerador desse lance é opcional citar).

Respostas até domingo.