Havia recém trocado meu celular no shopping e você me viu. Poderia ter vindo perguntar como estava, se tava tudo bem, se esperava um bom fim de ano. Mas você preferiu avisar a sua amiga que havia visto algo interessante na vitrine de uma loja. É claro. Uma desculpa. Uma dissimulação.
Eu não faria muita questão de te cumprimentar. Não precisaria ter fingido algo tão superficial a ponto de até aquela criança de sete anos sentada no banco de madeira notar. Ficou um tanto ruim pra você, eu creio.
De qualquer forma, fico satisfeito. Se houve repulsa, significa que, de alguma forma, uma marca minha ficou dentro de você. E isso para mim é o suficiente.
Agradeço-te pela consideração e por não ter deixado um único vintém de sinceridade em cima da távola.
Não te desejo muita coisa. Talvez alguma felicidade. Longe de mim, de preferência.
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